É de espantar o número elevado de quadros de depressão nos dias de hoje.
Algo que não existia no tempo de nossos avós.
Ao mesmo tempo em que é uma doença séria que precisa de acompanhamento médico intensivo, assemelha-se, no começo, como somas de pequenas tristezas que não se quer esquecer.
Tudo tem um começo.
Não sou a pessoa indicada para falar sobre o assunto ou dar conselhos - O meu único conselho é procurar ajuda médica (inclusive para as pessoas que convivem com o portador do quadro).
O ponto que quero chegar é a relação existente entre momentos tristes, que toda pessoa pode ter, com o vício que pode ser criado pela insistência na permanência no estado de tristeza.
Vou ser mais claro: quanto mais tristeza, mais tristeza.
Em alguns casos, a tristeza pode estar ligada ao 'drama de controle'. Inconscientemente podemos manter um estado de tristeza para atrair atenção de quem a gente gosta.
Isso pode se tornar extremamente perigoso com o tempo.
O que nosso inconsciente 'pensa'? Poxa, quando fico triste consigo manter a atenção de quem gosta de mim.
Conscientemente, podemos até não querer 'dar trabalho' pra ninguém. Acontece que, recebemos um reforço para sermos tristes toda vez que desejamos atenção.
O que podemos fazer?
Se me sinto triste, devo evitar isso a todo modo. Lembre-se: em caso de depressão procure um médico especialista na área.
Se alguém com quem conviva sentir-se triste, trate-o normalmente e, nos momentos em que esse alguém estiver bem, importe-se muito com ele, elogiando seu estado emocional, interessando-me por seus assuntos e idéias.
Não deve haver falsidade.
A maioria dos pais só dá atenção ao filho quando ele se encontra doente. Temos que entender que os pais não fazem isso por mal, fazem sim porque se preocupam, mas na verdade estão criando um Mimeme (Meme*) na mente do filho dizendo a ele: Fique doente que seus pais lhe darão carinho e afeto.
Neste caso, seria como se existisse uma conspiração contra o filho - mas não há conspiração alguma. Os pais fazem isso para que o filho se recupere logo.
O que sugiro para estes pais é que: façam uma festa quando seus filhos se recuperarem de uma doença. Dêem toda a assistência necessária durante a recuperação, porém sem aquele mela-mela.
Após a recuperação, a festa.
Os Memes encontram-se em quase todo tipo de mídia, religiões, famílias.
Para descobri-los, basta questionar-nos sempre em tudo o que ouvimos, lemos, vemos, etc.
Voltando para a tristeza:
1) Fique longe dela caso ela bata à sua porta, e;
2) Não se esqueça de dar aquela atençãozinha especial para alguém no momento em que esse vença a tristeza e esteja se sentindo bem.
* Meme (do grego Mimeme) – Unidade de evolução cultural ou uma unidade de imitação, como um replicador – propagação de idéias. Do livro O Gene Egoísta de Richard Dawkins
4 comentários:
Li tudo e já virei fã. Ótimos textos que tratam de forma simples e direta temas às vezes delicados, como a depressão por exemplo, que de um jeito ou de outro, fazem parte do cotidiano de todos. Mas pra quem conhece o grande Alessando (ou simplesmente Lokinho para os que tem o privilégio de o conhecer há muito tempo, como eu) não é nenhuma surpresa. Só reforça minha tese de que, quase sempre, todo grande músico, antes de tudo é uma grande pessoa. Parabéns e abraço, teacher!
Alessandro, sou leitora do Boletim do Missio e acessei o blog por lá.
Parabéns, adorei seu texto!
Sou mãe e penso que o que vc escreveu sobre nossa atitude com nossos filhos é uma grande verdade. A partir de agora vou adotar a sua dica, vou procurar valorizar mais quando estão bem e felizes. Um grande abraço.
Nilcemara
Oi Alessandro, eu conheço, adoro e amo a Nilcemara!
Você não pode imaginar o quanto eu fiquei feliz de ver um comentário dela aqui! Saiba que as suas palavras atraem e cativam as melhores pessoas! Parabéns pelo seu ótimo trabalho!
Mais um leitor do Boletim......
Alessandro, Gostei.
Abcs no estilo ho, ho, ho.
Elisa.
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